terça-feira, 4 de outubro de 2011

Desabafos XI


Quando no domingo alguém dizia que se eu estava sozinha não podia estar bem e eu neguei dizendo que estava muito bem e que neste momento de vida era assim que queria estar, pois bem, não, não é…

Das coisas que mais nos custa a assumir perante nós mesmos é que não estamos bem, que não estamos felizes com a nossa situação de vida. E não, não estou bem sozinha.

O problema é que já entrei em fase de desespero… estou sozinha há demasiado tempo…as últimas tentativas de relação correram todas mal… na realidade a última relação acabou muito antes de ter acabado oficialmente… e há medida que o tempo vai passando a capacidade de auto-gerir a minha ansiedade é cada vez menor. Isso faz com que rapidamente sufoque quem se aproxima, não deixando espaço, nem tempo para crescer o que quer que seja… Mato à partida qualquer vislumbre de interesse… E sim, eu sei que a culpa é inteiramente minha…

“Daqui a 5 anos vais pensar de forma diferente, o relógio biológico vai despertar e vais agarrar o primeiro que te aparecer à frente”… Daqui a 5 anos?! Hm… acho que já aconteceu… e lidar com este desconforto e com esta ansiedade está mesmo a destruir-me… E com isto não cativo ninguém, muito pelo contrário, afasto… Na verdade, sei que sou muito nova, mas quando me dizem isso só me irritam ainda mais…

Não é a primeira vez que estou “sozinha”, mas é a primeira vez que não estou apaixonada. É a primeira vez que não tenho mesmo ninguém, nem por quem estou interessada nem que esteja interessado em mim…

E não, os amigos, a faculdade, o trabalho… não compensam este vazio… Tenho medo do futuro… E pior, não sei como gerir esta ansiedade… Será que alguém vai ter a capacidade de se apaixonar por mim, ajudar-me a controlar a ansiedade, ajudar-me a viver um dia de cada vez e a acreditar no futuro… Será que algum dia eu vou conseguir não sufocar? Será que alguém vai ficar mais de uma semana?

E é isto que me deixa triste, vejo alguns com planos de casamento e bolas eu não sou pior pessoa que eles, nem menos interessante… porque é que comigo não funciona?

Não sei se aguento mais um sonho destruído…   

domingo, 2 de outubro de 2011

Histórias XIV

Apaixonou-se por ele, sentada em frente ao seu computador enquanto falava com ele numa das redes sociais, percebeu que estava apaixonada, que afinal aquele miúdo que anos atrás lhe parecia vazio de sentido, se tinha transformado num homem culto, interessante e fascinante...

Foi ele a procura-la num tarde quente de fim de Verão, foi ele que lhe disse que ainda a amava... foi ela que lhe respondeu nunca o ter amado...
Agora, passados todos estes anos ela comete o mesmo erro, diz não sentir aquilo que nem deu tempo para perceber. Ele afasta-se, não perde tempo à espera que ela perceba o erro que, novamente, está a cometer...
Passam-se semanas depois de ele a ter procurado, semanas em que ele não voltou a procura-la e ela começa a sentir-se consumida por essa ausência, lentamente vai percebendo que talvez lá no fundo existisse mais que simpatia... 
As semanas continuaram a passar uma depois da outra, o primeiro mês, o segundo e, chegado o terceiro mês de ausência ela decide procura-lo...

Não sabe bem como começar a conversa, não sabe bem o que tem para lhe dizer, apenas sabe que tem que o fazer. Começa da forma mais sincera e inteira que podia ter escolhido: Tenho saudades tuas! Ele olha-a com grande surpresa e responde: Também sentia a tua falta!Mas... 

E este "mas" era o problema dos dois... Mas querem coisas diferentes, mas não podem ter nada daquilo que querem; simplesmente porque não são só os dois...

Ficam assim, num "mas" eterno, que dá lugar a um silêncio demasiado cruel para que ela ali continue... Levanta-se e deixa-o sentado sem olhar para trás, mesmo depois de ele a chamar...

Ela sabe que foi ela que deitou fora a oportunidade de serem felizes, porque o julgou sem permitir que ele se desse a conhecer, porque estava presa a uma outra história, a uma outra pessoa que se revelou a sua pena maior...

Hoje sente-se triste, hoje arrepende-se das escolhas que fez... hoje percebe que ele a poderia ter feito feliz... hoje sabe que fez a escolha errada...

Chora pedindo para si mesma que lhe seja dada uma nova oportunidade... 

Ele chega perto dela ofegante porque vinha a correr para a apanhar e simplesmente a abraça com força...


Porquês VII

Porque é que a vida nos está sempre a trocar as voltas? Porque é que nos apaixonamos pelas pessoas erradas? 

Para aqueles que me conhecem deve parecer estranho escrever isto hoje, e provavelmente irão associa-lo à pessoa e à situação errada e sabem porquê? Porque tudo muda e a vida é inconstante...

Reapareces-te no momento errado da minha vida e da tua, porque que é que vieste baralhar esta cabeça agora? 
Que devo fazer eu agora? Só queria ficar sossegadinha no meu cantinho, a viver o dia a dia sem grandes agitações, era isso que queria nos próximos meses...

Apareces, agitas as águas, deixas tudo num atormenta e depois começa a fugir, mas depois voltas e depois voltas a fugir... não entendo... que queres tu afinal? Deixar-me doida? Pois bem, estás mesmo a conseguir...
Porque é que as pessoas certas aparecem nos momentos errados da nossa vida? 

Desculpa, mas agora não posso ficar para ver o que poderia acontecer... desculpa, mas não estou com estabilidade suficiente para isso... Por isso, deixa me ir, não me prendas... deixa-me seguir, quem sabe lá à frente no caminho nos reencontremos novamente, mas desta vez no momento certo... Acredita que farei por isso... mas agora, agora não forces... não me queiras ter como estou agora, seria apenas um processo de tortura para todos...

Mais à frente... se os caminhos se voltarem a cruzar... mais à frente... não aqui no meio da tormenta... 

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Cartas V


"Hoje escrevo-te uma carta com música, essa é a vantagem de ser uma carta digital... Hoje senti-me especialmente feliz... é estranho, eu sei... Mas senti-me muito feliz. Acho que atingimos um ponto de cumplicidade incrível, acho que hoje chegámos lá...
A vida é feita de inicio e finais de encontros e desencontros e hoje acho que foi cheia de encontros. Senti que te encontraste contigo própria, que eu me encontrei em algumas coisas que andavam perdidas e mais que isso, encontrámo-nos uma à outra de uma forma muito bonita...

Sabes, na verdade acho que só hoje te perdoei... não te quis dizer, achei que te ia magoar, mas é a verdade. Foi hoje, hoje perdoei-te tudo o que aconteceu, e não não foi ao final da tarde, foi ali, dentro do meu carro, quando a minha voz tremeu, porque as lágrimas encheram os meus olhos... Hoje perdoei tudo o que me magoou, hoje fechei as feridas e não ficam cicatrizes, hoje sinto-me orgulhosa da escolha que fiz... hoje reencontrei um bocadinho de mim que andava perdido no caminho... Hoje sinto-me preparada para falar do que quiseres, do que foi bom e do que foi mau... hoje chegou o dia!


Quando olho para a minha vida, quando tenho que tomar alguma decisão que implica mudança para além de mim, tu estás também na lista de aspectos muito importantes a verificar... acho que nunca me fez tanto sentido a frase: "és eternamente responsável por aquilo que cativas"...  

Entraste há muitos anos, ficarás por muitos mais, hoje tenho a certeza que nada, nem ninguém destruirá isto... que nada, nem ninguém nos voltará a afastar... 

Hoje, é este o dia, que deves recordar... Como um dia de mudança...

Estou aí sempre, basta fechares os olhos e sentirás que tens a cabeça apoiada no meu colo e que as minhas mãos te afagam o cabelo...

GMT Mana do meu coração" 
 

Histórias XIII

Depois de uma longa conversa cheia de provocações na noite anterior, acorda com uma mensagem dele a convida-la para ir dormir lá a casa. Ela pensa se o deve fazer, mas precisa de provar a si mesma que pode ser feliz com outra pessoa... mal sabia como se estava a enganar.

Passa o dia a ansiar que chegasse a noite, tinham combinado tudo por alto. O dia passa, lentamente, chega a noite e nada... espera que ele lhe ligue, lhe envie uma mensagem, mas nada acontece. Até que o telefone toca e é ele.

Ele -"onde estás?"
Ela - "em casa, onde nos encontramos"...

E assim combinaram um ponto de encontro, ele foi busca-la, foram no carro dele até casa dele... 

Entraram, ele tinha passado os últimos dias fora de casa, por isso ela ajudou-o a organizar tudo e foram trocando algumas caricias e algumas recordações daquilo que foram as suas vidas na infância e na adolescência. Sim, conheceram-se já adultos e as suas origem era muito diferentes...

As horas foram passando, as músicas que ele lhe ia mostrando iam passando uma depois da outra... a casa ficou organizada e a musica ficou mais baixa... 

Passaram a noite juntos, sem promessas, ele disse-lhe dezenas de vezes naquela noite que não a queria magoar e que não iriam ter uma relação, mas ela queria provar a si mesma que conseguia ser feliz assim...

Mal passaram pelo sono, nas primeiras horas da manhã ela diz-lhe que não pode ficar até muito tarde... ele levanta-se vai tomar banho, volta e ela estava a dormitar enrolada nos lençóis... ele diz-lhe "princesa agora é que dormes?"... ela abriu os olhos, olhou para ele e sentiu que foi feliz naquela noite...

Ele levou-a a casa, deixou-a longe o suficiente para não serem vistos juntos. Depois dessa noite só voltaram a falar meses depois...

Ela descobriu que tinha perdido um bebé... Saber que tinha um ser dentro de si depois de já o ter perdido causou-lhe uma dor profunda, nunca lhe contou... viveu esta dor sozinha, dentro de si mesma... e a esta dor juntava a raiva de si própria por não se arrepender do que tinha feito aquela noite...

O tempo foi passando e hoje são amigos, ele não sabe o que aconteceu, não sabe nem nunca saberá que naquela noite conceberam uma criança que não chegou a nascer... não sabe que a história deles foi mais que umas saídas, umas conversas e uma noite... Nunca entenderá quando ela lhe diz que a amizade deles nunca será "normal"...

Hoje ele tem uma relação estável com outra pessoa e ela... Ela ainda está a tentar voltar a gostar de si mesma e a procurar forma de voltar a confiar nos outros... Já não tem raiva de si própria, só por de vez em quando ainda ter saudades dele... mas assim como vêm, vão... e fica-lhe o sabor amargo de sentir que pode nunca mais voltar a ter um ser dentro de si...


Crianças II

As crianças são todas muito diferentes umas das outras... hoje apetece-me escrever sobre uma em particular, desculpa não te ter pedido autorização, quando fores maior prometo que te mostro isto, combinado?

És um ser pequenino, vá mais ou menos pequeno... porque achas que a mini sou eu...

Sabes, sinto-me triste por não ter acompanhado estes teus primeiros anos de vida... Acho que te peguei ao colo uma vez...  isso magoa-me... Mas foi por minha culpa, não penses que a culpa foi dos papás, não foi... eu simplesmente senti que não tinha esse direito...

Entretanto fui-te vendo a espaços, e sentindo que não me reconhecias como alguém que fazia parte da tua vida (vá, da vida dos teus pais) e sabes, não fazia mesmo... Sempre foste uma pedrinha no meu coração, daquelas que pesam ano após ano e que nós não sabemos como tirar... Sabes o que isso quer dizer? Quando chegares a ler isto certamente já saberás...


Quando te ia vendo brincar e saber os nomes de outras pessoas e percebia que era uma estranha, essa pedra ia aumentando de tamanho... e sempre achei que era uma estranha para ti...

Fui das primeiras pessoas a saber que estavas na barriga da mãe, sabias disto? Mas nunca te cheguei a sentir mexer lá dentro... saí da vida da mãe antes disso e depois fui-me mantendo assim, à distância a ver-te crescer e a chorar algumas vezes por nem me conseguir aproximar...

Curioso como foste tu que te aproximaste... Por isso para além de um ser pequenino és um ser muito especial... Espero que um dia o percebas... E espero também, agora que nos conquistámos um ao outro, que percebas que não foi por mal que não estive presente, mas simplesmente porque tinha medo de ser mandada embora...

Independentemente de toda esta confusão, foste o meu primeiro sobrinho e isso é um lugar muito especial...

Um dia quero dar-te um abracinho apertado e dizer: "Gosto muito de ti super-reguila"

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Dias X

Um dia vou perceber o porquê de tudo o que está a acontecer agora!

Tudo o que acontece tem um motivo... o bom, o mau... ainda que agora muitas destas coisas me pareçam demasiado más, me façam sentir que estou novamente a ser forçada a crescer... um dia tudo isto faz sentido...

Hoje sinto como nunca o quanto a vida de quem amamos influencia a nossa, o quanto podemos sofrer com essas pessoas e por essas pessoas... aquela conversa do "choro contigo e sorrio contigo" é mesmo verdade... ok, já sabiam? Ainda bem, eu também, mas nunca o tinha sentido assim como agora...

Preocupa-me tudo o que está para vir... preocupa-me a estabilidade que vou ter que ter para o suportar... preocupa-me não estar a altura de todos os desafios que aí vêm...

E hoje, nem sei se estou feliz, se estou triste... Porque há dias assim, em que as boas noticias chegam e "aquela" pessoa não está aqui para a partilhar connosco... e isso dói... Mas um dia vou perceber porquê...

Hoje, fica esta dor e as lágrimas a caírem... Amanhã, quem sabe, o sorriso resolva vencer...