domingo, 18 de setembro de 2011

História XII

Pega no telefone, escreve uma mensagem depois de pensar muito, envia a mensagem... 

Pousa o telefone em cima da mesa e vai até à cozinha buscar um copo com água, quando regressa já tinha recebido a resposta à mensagem que tinha acabado de enviar... no momento em que lê aquela resposta, pousa o copo e senta-se no sofá ali ao lado... fica a ler e reler aquela mensagem vezes sem conta... continua incrédula perante o que lê... continua sem acreditar no que se está a passar à sua frente.

Ela apenas queria informa-lo de que não tinha nada contra ele, de que continuava a guardar um grande carinho e a querer o seu melhor... que aquilo que tinha acontecido com eles não era sinónimo de rancor ou mágoa guardada... E ele informa-a que não quer mais saber dela, que não tem mais tempo a perder com crianças, com jogos, com pessoas que não valem a pena... 

Depois de ler vezes a fio aquela mensagem pensa ligar-lhe, pensa responder... mas pousa o telefone, vai novamente à cozinha, desta vez, abre uma garrafa de um bom vinho, coloca-o num copo, prepara um boa tosta com queijo, nozes, tomate e mais qualquer coisa que encontra no frigorífico e lhe parece ficar bem ali, coloca tudo num tabuleiro e volta à sala. Senta-se no sofá, liga a televisão, coloca um filme de que gosta e começa lentamente a saborear o vinho e a tosta enquanto vê entusiasmada aquela história a decorrer naturalmente na televisão à sua frente... o telefone toca... uma mensagem... não era dele... era "dela"... «apenas para dizer que ganhei»... Pois bem, pensa ela, ganhas-te o quê? Um homenzinho?! Espero que sejas feliz... Eu cá fico com o meu vinho, o meu sofá e em busca de um Homem que tenha a coragem de me Amar... Pensa mas não lhe responde...

Depois de terminar o vinho e o filme, pega no telefone e envia uma mensagem à sua melhor amiga onde escreve: JÁ ME CUREI... MAS SOZINHA FICAM SEMPRE CICATRIZES, AJUDAS-ME? 
Esta amizade dura há anos, e é ali que ela sempre encontrou o conforto e o alento nas piores horas... Hoje sabe que é mais um desses dias, em que lhe basta ler um "vai correr tudo bem"...


Na verdade a vida foi-lhe ensinado a relativizar os problemas e as perdas... hoje é mais forte e mais confiante... sabe que amanhã o sol voltará a nascer...

Cafés I

Nova categoria neste blog...


Gosto de café... de manhã, à tarde, ao fim da tarde, à noite... ao acordar, depois de almoço, depois de jantar... sozinha, acompanhada... um café é o pretexto para muita coisa...

Hoje apetece-me um café ao fim da tarde, numa explanada a ver o pôr do sol em Lisboa, sozinha...

Um café daqueles que levam horas... Hoje sinto a falta de estar sozinha, não uma solidão triste, mas uma solidão de REENCONTRO...

Hoje precisava de algum tempo só para mim onde conseguisse perceber tudo o que me está a acontecer e como é que devo lidar com isso daqui para a frente... sinto falta de ter com quem beber estes cafés... Sim, eu sei que disse que queria beber café sozinha... mas na verdade queria partilhar a mesa com alguém que apenas ali ficasse, sem perguntar, sem olhar... apenas partilhasse a mesa e o gosto pelo café... Já tive quem o fizesse comigo e por mim... agora já não tenho... Muitas vezes nem tenho com quem beber café quando simplesmente quero beber café com alguém...

E quando eu digo que sinto a falta de "ter alguém" é disto que falo... sinto falta de ter com quem beber estes e outros cafés, com quem ir ao cinema, com quem partilhar as lágrimas e os sorrisos... alguém que esteja sempre disponível para mim... e não julgo os amigos por não estarem, porque cada um tem a sua vida... e por mais importantes que sejamos uns para os outros somos elementos extras ao núcleo da nossa existência... no meu núcleo de existência falta-me alguém... alguém que me ligue a meio da tarde a propor um café depois de jantar... alguém a quem eu ligue ao amanhecer a propor um café depois de almoço... alguém que possa estar disponível para se dar e para me ter...

Hoje queria apenas isso... um café... com alguém especial... 

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

cartas III

Já partilhámos tanta coisa, já dissemos tanta coisa certa e errada uma à outra... já chorámos juntas, já rimos muito... já nos magoámos uma à outra e a nós mesmas... 

Tive o privilégio de te ver amadurecer, de te ver mudar... nem sempre o acompanhei de perto e isso deixa-me triste. Não consegui partilhar os bons e os maus momentos contigo... Estive aqui sempre, mas não estive aí e essa é a grande questão da amizade...

Dizemos muitas vezes: "estive sempre aqui", e então? De que vale estarmos sempre aqui e os outros estarem lá? É lá que nós temos que ir e eu não fui... houve muitos momentos em que simplesmente me deixei ficar...

Hoje arrependo-me de algumas coisas, se tivesse feito diferente talvez tivéssemos evitado muita mágoa... mas se foi assim que aconteceu é porque assim tinha que ser.




Desculpa por ser assim tão inconstante... por duvidar algumas vezes, por ser mais bruta... desculpa por não perceber que precisas de mim, nem tão pouco o que posso fazer para te ajudar... Desculpa não ter estado "lá"... Desculpa ter-te deixado ir... Desculpa dificultar ainda mais aquilo que já está difícil... e desculpa por insistir para que te abras mais... 


Lamentavelmente a vida foi-me obrigando a criar defesas e capas, hoje estou muito mais de pé atrás... e não, a culpa não é tua, mas nem sempre consigo controlar este mecanismo de defesa que é a agressividade nas palavras...

Não te tive por perto durante muito tempo e agora custa-me querer ter-te e não poder ter o quanto gostava, mas com o tempo eu vou passar a aceita-lo com maior naturalidade.

Hoje quero que saibas que vou estar para sempre aí, e que a cada noite me levas contigo para te guardar o sono e que a cada manhã me levas para te dar força para mais um dia. Hoje passo a dizer "estou sempre aí" e não "estive sempre aqui"... 

Perdoa-me as minhas falhas e se algum dia sentires que te estou a abandonar acredita que não estou... que longe ou perto, estarei sempre (para sempre) aí ao pé de ti...

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Desabafos IX

Apetece-me vestir qualquer coisa, sair para a rua, pegar no carro e ir a qualquer lado... qualquer lugar onde eu conseguisse chorar sem ser vista... onde conseguisse deitar fora toda esta dor que agora teima em não me deixar respirar normalmente...

Porque é que me fizeste isto?

Acho que te dei o que ainda me sobrava de confiança nas pessoas... Dei-me sem pensar muito, não me arrependo, de todo... simplesmente não entendo porque fizeste isto...

Estou cansada, verdadeiramente cansada...

Sabes, está a doer muito... e sabes porque? Porque já não sei viver sem ti... deixei o telemóvel o dia todo no carro para não ter a tentação de te enviar mensagem, simplesmente porque achei que não o devia fazer... porque precisava de tempo, de espaço, para perceber o que fazer... Mas a tua resposta há pouco deitou tudo por terra...

Porque é que me fizeste isto?

Mas é assim tão difícil as pessoas que amo manterem-se por mais de umas semanas? Custa assim tanto fazerem algum esforço para ficarem ao meu lado? Porque é que todos desistem? Porque é que todos me fazem acreditar que vale a pena e depois me viram as costas?

Pensei que ias ficar... disseste que ias ficar... parece que afinal não...

Vou ali fechar os olhos e ver se amanhã já não os abro...


terça-feira, 13 de setembro de 2011

Partilhas XIV






"Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?

As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.

É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si, isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução. Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.

Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.

O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar."

Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'

domingo, 11 de setembro de 2011

Partilhas XIII

"Ama com paixão, Chora com vontade, Procura a verdade, Sê Honesto, Não desistas, Ri muito, Falha, Sorri com prazer, Pede perdão, Erra, Arrepende-te, Reencontra-te, Sonha, Luta, Emociona-te, Acredita, Perdoa, Sê sincero, Sê generoso, Grita, Recorda os amigos. Vive Apaixonadamente!!!" 
(a frase que quero na parede do meu quarto)


sábado, 10 de setembro de 2011

Dias VIII

Um dia vou ligar-te e perguntar: queres vir comer um gelado comigo depois de jantar?
 
Acho que esse dia ainda não é hoje... Por mais que tenha vontade de o fazer, e se tenho vontade... Hoje queria mesmo poder abraçar-te... Mas não vou criar-te essa frustração de te convidar e não poderes aceitar...
 
 
Não sei mais o que fazer... estou cansada, não de ti, não só de toda esta situação... mas da vida... 
 
Queria ter a coragem para parar a minha vida por uns meses e ir embora... realizar o meu sonho... ir... e depois, quando voltasse tudo estaria mais calmo e provavelmente eu já saberia o que fazer e como fazer...