quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Eu III

Tinha um sonho de futuro não muito diferente daquele que a grande maioria das raparigas da minha idade têm... Casar e ter filhos... é verdade, era um dos meus objectivos de vida... Mas de um momento para o outro acho que deixou de ser... Aliás, o tempo de concretizar este sonho estava muito próximo nos meus planos de futuro e agora já nem está longe, simplesmente deixou de estar... Sim, tinha a quinta escolhida, o fotografo... até o vestido estava mais ou menos pensado e agora acho que nada disso faz sentido...

Quero investir na minha vida profissional/académica, quero mesmo ir mais longe a este nível, bem mais longe... não para ter nome na área, mas para fazer a diferença, para conseguir realizar outros sonhos, para sentir que contribuo efectivamente para a melhoria da qualidade de vida de mais pessoas do que aquelas com quem trabalho diariamente... E isto vai levar tempo, vai exigir dedicação e é a isto que me quero dedicar inteiramente... Acredito que daqui a uns 6/7 anos devo ter chegado mais ou menos a um ponto intermédio que já me permita partir para desafios a outro nível...

Daqui a 2/3 anos quero sair de casa...

3/4 anos depois quero avançar para um processo de adopção (sim, sozinha)...

Ser mãe não deixou de ser um desejo, ou mesmo um sonho, passou simplesmente a ser olhado de uma forma diferente. Na verdade a adopção sempre foi uma situação na qual eu pensei, mas pensei no seguimento de um casamento e de filhos biológicos... agora vejo-a como a hipótese de ser mãe num futuro (distante)...

Hoje olho o casamento de uma perspectiva diferente da que olhava há uns tempos, hoje são estes planos de futuro que me fazem sentido, mas não fico agarrada a eles, nem vou sofrer por antecipação... simplesmente porque a vida já me mostrou que rapidamente nos troca as voltas e muda tudo novamente.

Para já o meu percurso académico/profissional são a minha prioridade... Por agora o casamento parece-me uma barreira à realização daquilo que eu sou... Nesta fase prefiro ser "só eu" a comandar a minha vida...


Cafés IV

Gosto do café normal, mas só com meio pacote de açúcar ou mesmo sem açúcar, dependendo dos dias, do estado de humor e da necessidade de acordar ou manter-me alerta.

Sábado ao final da tarde queria toma-lo contigo... sei que não vai acontecer, mas queria poder dizer-te como foi a minha semana, como foi o início desta nova etapa, na verdade de uma nova fase... mas isso ainda não te disse... ainda não te disse que é uma nova fase de vida, aliás acho que ainda não disse a ninguém, talvez nem a mim...

Contigo ou sozinha, sábado ou domingo vou sentar-me num sitio qualquer agradável, pedir um café e ficar ali, simplesmente a saborear a vida, porque ela foge e se não pararmos de vez em quando para respirar e saborear o vento, o calor, o frio, a chuva... a vida... acabamos por respirar e não viver.

Queria olhar-te nos olhos e dizer-te tudo o que me ocupa a alma e a mente, mas simplesmente ainda não tenho essa capacidade... desculpa! Queria conseguir fazer-te perceber que podes ficar, que nem tudo o que parece é... que eu sou difícil, é verdade, mas também me torno fácil, acessível e compreensiva desde que me conquistem e mostrem que vão ficar mais de 2 semanas... Todos nós testamos quem tenta chegar à nossa vida, uns testam conscientemente outros não. Uns têm provas mais difíceis que outros... Eu não sou consciente nos testes que faço, nem sei se são fáceis ou difíceis, mas sei que os tenho feito... e tenho pena que muitos não se queiram dar ao trabalho de tentar ficar, até porque alguns me faziam feliz... Mas se partiram é porque não era suposto ficarem, ou então eu não soube mantê-los... Preocupa-me que também te esteja a mandar embora a ti...

Posso pedir-te uma coisa? Sábado, ou domingo, quando eu parar para beber o meu café (sozinha, provavelmente) fechas os olhos e pensas em mim?

Sábado será com meio pacote de açucar, porque quero estar alerta mas não muito, porque quero passar um pouco pela ilusão de que tudo corre sem dores, sem resistências nem desistências... 

Hoje, queria que alguém novo tivesse entrado na minha vida a abanasse e fizesse diferente... podia criticar a minha insistências, mas não desistisse...

domingo, 9 de outubro de 2011

Cartas VI

"Tenho saudades tuas... Tenho saudades do teu sorriso e das tuas brincadeiras... Sinto a tua falta... Onde andas? Não quero que te percas no meio da confusão do mundo, quero-te aqui, feliz por seres o que és...
Às vezes estou em casa ao final de um dia de trabalho e apetece-me ouvir a tua voz... apetece-me ver-vos... 
Tudo o que tem acontecido tem, claramente, fortalecido a nossa amizade mas sinto falta da leveza e facilidade de uma amizade... sinto falta de falar de tudo e de nada... de estar contigo e sentir que o ar que se respira é totalmente tranquilo e agora não é...
Queria poder passar uma tarde contigo, sentadas num sitio qualquer a partilhar confidências, parvoíces, silêncios, sorrisos, lágrimas... queria simplesmente poder estar contigo...
Mas mais do que tudo o que queria ter de ti e contigo, o principal é que quero ver-te feliz, é isso o que mais quero...
 Tens-me feito falta todos estes anos, agora que aqui estás sinto-me feliz por isso, mas preocupa-me que tudo isto nos desgaste e nos faça perder o sentido de uma amizade e nos faça esquecer de "nós" no meio do "eu" (do teu ou do meu)...
Quero que as nuvens passem, seja em que direcção for, mas quero que passem, quero começar a ver os raios de sol, por mais tempo que ele leve a aparecer na totalidade, quero pelo menos sentir que as nuvens estão a passar e agora sinto que ainda estão a chegar e que a tempestade ainda nem começou...
Queria muito ter-te abraçado hoje, queria muito ter olhado para os meus sobrinhos emprestados... vocês fazem-me bem e sinto a vossa falta...
Não quero ficar sem vocês... Não quero... 
Gosto muito de vocês, nunca se esqueçam disso!"

Histórias XV

"O que é preciso para começar tudo do início: coragem, determinação e uma grande dose de insanidade. Independentemente do quão grande e assustador possa ser o mar à nossa frente."
David Fonseca

Foi esta frase que ela lhe escreveu num guardanapo que tirou do porta-guardanapos que estava em cima da mesa do café onde foi tomar o pequeno-almoço antes de ir trabalhar. Pegou no guardanapo enfiou-o no bolso de trás das calças de ganga que vestiu pela manhã a fazer conjunto com aquela blusa preta e o blusão cor de rosa. Tinha calçadas suas botas pretas de salto alto e nas orelhas aqueles brincos simples, apenas com uma pérola branca, mas que faziam toda a diferença.Na mão esquerda apenas o relógio prateado que tanto gostava...

Saiu do café, dirigiu-se para a reunião que teria durante toda a manhã, depois da reunião estava livre, não tinha trabalho da parte da tarde. Como calculou acabar a reunião antes da hora de almoço, ligou-lhe pela manhã e fez o convite para almoçar. O convite foi aceite...
 
Entrou na reunião, concentrou-se no que ali estava a ser discutido e durante 4 horas apenas isso lhe preencheu a mente...  foi a primeiro vez ao fim de algumas semanas em que o conseguiu fazer, até ali era constantemente assaltada pela preocupação, por pensamentos que nada tinham a ver com trabalho...

Saiu da sala de reuniões, pegou no telefone e já tinha uma mensagem que dizia: "cheguei!". Dirigiu-se para o restaurante combinado. Chegou perto da mesa e antes de se sentar tirou do bolso de trás das calças o guardanapo que tinha guardado de manhã, colocou-o em cima da mesa... Ficaram a olhar para o que estava escrito. 
 
Sentou-se. Pediram. Mantiveram-se em silêncio.
 
Chegou o pedido e ela simplesmente disse: "Estarei ao teu lado para navegar contigo nesse mar, não tenhas medo, não te assustes, vamos chegar à margem, ao mesmo tempo, mesmo que tenhamos que parar pelo caminho para descansar... Mas vamos chegar!"

Guardou o bilhete, e começaram uma conversa agradável sobre o dia a dia...


Naquele dia, ela saiu do restaurante com a certeza de que um grande passo rumo ao futuro tinha sido dado...

Partilhas XVI

E vamos a coisas mais leves que este blog nos últimos tempos anda meio taciturno...

Falta um mês e duas semanas para o meu aniversário... E após varias mudanças relativamente à realização ou não de alguma comemoração, lá me convenceram a manter a ideia inicial de fazer alguma coisa...

Pois bem, já estou a trabalhar na temática... Vou revelar (não em primeira mão, mas quase) o tema  deste ano:

...um caminhos com 23 passos...


E para já, fica só tema, à medida que o tempo for passando vou revelando mais pormenores... Ah, mas posso dizer que vai haver verde... Não como o vermelho do ano passado, mas quero que o verde esteja presente em alguns momentos...

Aguardem pelas novidades e pelos convites ;)


Dias XI

Um dia vou perceber porque é que sinto este vazio!
 
Hoje é esse dia! Após uma pausa (ainda que curta) para reflexão, acho que finalmente percebi o que se passa comigo agora. 

É estranho não se sentir saudades de quem sempre sentimos, é estranho não ter vontade de falar com quem sempre falámos, é estranho sentir que se deixou de amar alguém quando pensámos que era para sempre. 

Hoje percebi que ao longo destes quase 6 anos, em todas as falhas nas tentativas de novas relações, eu acabava por regressar a ti, e tinha sempre a quem conquistar e tinha sempre a quem dedicar o meu tempo e a minha atenção e agora, agora não tenho.  E não tenho simplesmente porque deixei de sentir vontade de ter, não falar contigo não é uma luta, é uma situação normal... Saudades? Sabes, não sinto... Já não és uma lembrança constante, já não és a pessoa em quem penso todos os dias, já não és motivo de nada... Já não dóis!

Percebi outra coisa, percebi que ainda te amo, mas tu já não existes... É confuso? Acredito... Vou tentar explicar...
Eu acredito no amor para sempre, e eu vou amar-te para sempre, a ti por quem me apaixonei há 7/8 anos atrás,  à pessoa que eras naquela altura, a essa pessoa que eras tu eu ainda amo... A ti que existes agora, a esta pessoa em quem te transformaste não amo, nem me agrada... E não, não o digo em tom de revolta ou de forma cruel, digo-o de forma serena e sincera. 

 Há quem tenha a capacidade de amar todas as transformações que uma pessoa sofre, há amores que se conseguem adaptar a todas as mudanças, há outros que não... e o meu por ti não foi capaz disso... Amo aquela pessoa que ficou lá atrás na tua história, não me agrada esta pessoa que és agora.

E este vazio de não ter para quem voltar quando falho numa nova tentativa de me interessar por alguém, não é mau, nem bom... é um vazio que nunca tinha sentido... é a tua ausência em mim... é a prova de que estou consciente de que já não existes e não vais voltar a existir... A mudança não tem retorno.

Por isso, não te menti, ainda te amo... tu é que já não existes... 
Hoje foi o dia em que me libertei de ti... É verdade, o tempo resolve tudo!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Vou ausentar-me destes meu espaço por algum tempo... preciso de me afastar de tudo isto...